Sigo treinando meus poucos vocábulos em espanhol pelas ruas. Nem liguei pro frio, quando vi que na rua que passo todos os dias um ipê já floresceu. Ontem mesmo, durante o banho, tremendo e com unhas roxas (como sempre) pedi que o verão viesse logo. Eu era a única naquele lugar, de jaqueta. Quase sempre uso as escadas, pelo menos três vezes ao dia encontro com os degraus. Sigo esquecendo de levar a sacola ao mercado, à padaria. Volto com tudo nas mãos. Carteira, chaves, papéis, margarina, coca cola pequena e um punhadinho de solidão. Eu voltei. Mas descobri que tudo acaba sendo bem melhor assim. Cheio de punhadinhos, esperando o sol vir com mais força.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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