E crescendo se vê, que perder é mais normal do que parece. Cheguei a pensar que estivesse na moda, ou coisa assim. Não que seja exatamente bom. Mas é engraçado como os fracassos sociais fazem a vez e a vida das pessoas e como é normal esconder tudo debaixo do nariz. Existe uma obrigação de estar e ser feliz, ser uma salvação pela facilidade de hoje, porque a geração passada sempre foi e sempre será a melhor. Existe um esforço máximo ao trabalho, ou então esforço mínimo, uma desistência que faz qualquer um escrever na sua testa: "perdedor". Ou se morre por um, ou por outro. Ou luto até conseguir ser a melhor, com a sensação de nunca chegar lá e ficar careca ou deprimida por isso, ou encaro a distância do podium e engulo o futuro e vomito depois como der. Há um esforço enorme para não se mostrar sozinho, simultaneamente não se mostrar casado. Entrega-se às escuras, com medo de se perder. Sob as luzes, dança-se sozinho ou com desconhecidos, com medo de perder pra eles. Ao telefone pela manhã as vozes afinam, mais uma vez... por medo de perder. Rifam-se amizades, pra colar no álbum de figurinhas, mesmo sabendo que se trata de um livro inanimado, perdendo de novo. Ou melhor, não ganhando nada. É um jogo de tabuleiro, desses com obstáculos, provas, casinhas pra voltar. Mas a maioria ainda não entendeu que se quer saiu do próprio quarto, e mesmo nesse jogo besta de tabuleiro, não chegou ao fim primeiro.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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