E crescendo se vê, que perder é mais normal do que parece. Cheguei a pensar que estivesse na moda, ou coisa assim. Não que seja exatamente bom. Mas é engraçado como os fracassos sociais fazem a vez e a vida das pessoas e como é normal esconder tudo debaixo do nariz. Existe uma obrigação de estar e ser feliz, ser uma salvação pela facilidade de hoje, porque a geração passada sempre foi e sempre será a melhor. Existe um esforço máximo ao trabalho, ou então esforço mínimo, uma desistência que faz qualquer um escrever na sua testa: "perdedor". Ou se morre por um, ou por outro. Ou luto até conseguir ser a melhor, com a sensação de nunca chegar lá e ficar careca ou deprimida por isso, ou encaro a distância do podium e engulo o futuro e vomito depois como der. Há um esforço enorme para não se mostrar sozinho, simultaneamente não se mostrar casado. Entrega-se às escuras, com medo de se perder. Sob as luzes, dança-se sozinho ou com desconhecidos, com medo de perder pra eles. Ao telefone pela manhã as vozes afinam, mais uma vez... por medo de perder. Rifam-se amizades, pra colar no álbum de figurinhas, mesmo sabendo que se trata de um livro inanimado, perdendo de novo. Ou melhor, não ganhando nada. É um jogo de tabuleiro, desses com obstáculos, provas, casinhas pra voltar. Mas a maioria ainda não entendeu que se quer saiu do próprio quarto, e mesmo nesse jogo besta de tabuleiro, não chegou ao fim primeiro.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
Comentários