Havia me apegado ao brilhante fato de estar distraída, e assim, condizer o quanto encantador pode ser admirar alguém e por acaso, talvez, mas sem pretensão alguma, ser admirada de volta. Pensando nisso, guardei a sensação ruim, de que, sabendo de tudo a todo tempo estaria perdendo tudo. E pior, estar distraída, seria então, não captar todos os detalhes? Porque não sei, não me controlo, mas quando assusto me pego contando mechas de cabelo e analisando cheiros no supermercado. Não vejo nada disso como ruim. Não quero ver. Porque além de todos os detalhes que não consigo resenhar em palavras, eu sinto que há uma distração nada intencional em assistir alguém dormir, em sentir gosto por cortar o dedo e não estar sozinha, em querer comer de novo e de novo o que ela cozinhou e em simplesmente acordar e dormir sem sentir frio. Acho que somos distraídas o bastante para viver em paz, três dias sequenciais como se fossem onze meses. Onze meses e é como se fosse ontem, tudo isso.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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