Promessas sobre dias sem fazer muita coisa, preencher o quarto com todos os detalhes que guardei bem escondido até de mim mesma e deixar todas as coincidências (ou não) tomarem conta. Se tive uma pequena premonição do que aconteceria uma vez, acordar todos os dias e mesmo sozinha, conseguir olhar a janela sorrindo é algo que eu não imaginaria fazer tão cedo. Engraçado é ficar feliz, simplesmente por estar feliz da forma que estou. Parece confuso, mas é que ás vezes me pego olhando a rua pela janela, como se ela fosse apontar na esquina e, mesmo sabendo que é quase impossível, começo a rir e volto a tudo que tenho pra fazer. Porque é bom sentir saudades, é bom esperar. É bom poder ser livre pra fazer o que eu quiser, finalmente. E no final do dia ainda sim pensar em um nome só.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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