Rascunhei algo a uns dias atrás, relacionando minha covardia aos pingos de chuva até menos covardes do que eu, aquela coisa boba que caía do céu e iludia meio mundo, mas não molhava nada. Mas não escrevi, deixei de lado, parecia bobagem. Nada como esperar uns dias e ter prazer em ver a chuva chegar forte, batendo na janela, ventando frio com o céu meio rosa. Eu sentia calor suficiente, uma proteção diferente ou mesmo a tal coragem e vontade entrar debaixo dela e me molhar. Acho que é um pouco de tudo.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários