Rascunhei algo a uns dias atrás, relacionando minha covardia aos pingos de chuva até menos covardes do que eu, aquela coisa boba que caía do céu e iludia meio mundo, mas não molhava nada. Mas não escrevi, deixei de lado, parecia bobagem. Nada como esperar uns dias e ter prazer em ver a chuva chegar forte, batendo na janela, ventando frio com o céu meio rosa. Eu sentia calor suficiente, uma proteção diferente ou mesmo a tal coragem e vontade entrar debaixo dela e me molhar. Acho que é um pouco de tudo.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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