Desenho da forma mais crua possível, se é que isso é desenhar. Tudo sempre redondinho e fofo que fico com medo de não crescer mais. Sempre com o pé, aliás os dois pés nesse mundo que custa a me deixar bem... porque confortável não é necessariamente bem. Até outro dia eu tinha medo de usar vermelho na boca, coisa de mulherzinha que não sou. Não sou mulherzinha, nunca me encaixei no mundo mulherzinha e sinto uma falta danada de entender isso. Tanta vontade dos que disseram que ficaria bom e eu usei vermelho na boca, na orelha, nos pés e com medo de parecer algo que não sou, como fresca (procuro adjetivos, mas não os encontro e escrever é urgente agora), saio de casa com um "foda-se" escrito na testa, desperdiçando bons momentos ao ver crianças dentro de ônibus e não sorrir. Porque ás vezes acho que só elas me entendem. Têm toda a pretensão do mundo naqueles olhos, mas infelizmente não o fazem pelo tamanho nada avantajado. E eu era bem melhor, quando era criança, era mesmo. Eu falava, bem mais do que escrevo hoje, e escrevia bem mais do que como hoje... não usava vermelho mas também não tinha um pingo de medo dos adultos nos ônibus. E o que me faz mulher é ter que levantar todos os dias com minha vida quase toda sendo feita por mim, quase. É distante de mim, entender e aceitar que vermelho não faz ninguém mais velho ou mais novo, que pegar ônibus e sorrir pra qualquer criança não me deixa mais imatura. Falta um encaixe, entre o céu e o inferno, essa passagem que é crescer.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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