Gosto da falta de tempo pra pensar. Sobra prática, faltam minhas teorias mirabolantes sobre o que sou para cada um e consequentemente um "quê" de liberdade, quando tudo ao redor ganha um dólar por crítica. O que eu quero parece caro e não dá pra pedir de natal. A dúvida quanto ao caráter dos outros, a certeza de alguma coisa realmente boa e forte que outros sentem por mim. Ligar o "foda-se". Eu quero esse botão de natal também. Mesmo que eu me sinta com cinco anos, abrindo uma caixa de um brinquedo que vai me fazer brincar sozinha, pela maioria do tempo.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários