Das filosofias de ônibus que adquiro, acredito que a que mais uso é a que escutei um dia totalmente desatenta (como quase sempre) quando uma senhora conversava ao telefone e contava da depressão de outra fulana. Depois de descrever o estado deplorável que ela chegou a se encontrar, algumas consultas com um terapeuta e a solução da moça seria, segundo receita médica, mudar de vida. Com uma frase simplória que soava realmente vitoriosa, e, não por ironia mas aquilo realmente sempre deveria ser constatado como remédio pra quase tudo que parece perdido na vida não é? Quando me saiu um tom de voz um tanto bizarro, como quem queria rir, mas não podia. A senhora explica que para isso, a moça antes deprimida cortou o cabelo tipo channel, pintou de preto e fez logo duas tatuagens. Que era pra mudar tudo de vez.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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