Eu não entendia porque todo mundo fechou as cortinas. Com um ônibus tão alto e com janelas enormes, eu só queria mesmo ficar por conta da lua. Eu sei que ando fugindo de um bocado de coisa, mas fugir pra lua sempre me parece uma ótima solução. Qualquer lugar que me deixe brilhando, ou que me esconda no seu brilho. O ônibus andava, corria, e eu sentia que era exatamente isso que eu queria: correr. Senti frio a ponto de sentir dor, foi como um acordar pra várias coisas. Mas das coisas unilaterais que a vida tem, percebo que se sentir sozinho é algo inevitável nesses casos. De ônibus gelado, fuga pra lua e vento forte embaçando o vidro, me dei conta de que solidão é algo que me acompanha de forma nítida. Não sei se porque quero. Não sei se quero. Mas sei que assim é. Quando não no físico, minha mente ainda viaja sozinha, perdida em certas multidões onde frase nenhuma, bebida nenhuma, cigarro algum faz sentido pra mim.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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