Não entendo o sentido, de qualquer forma, mas depois que chego à multidão me sinto melhor. É quando quase me perco de vista, nesse lugar onde tudo é muito e sou só mais uma. Me sinto melhor em ser só mais uma, e saber disso de forma nítida, em calma e sentindo paz. Mais uma que erra, mais uma que pode se dar mal. Talvez seja por isso. Ameniza a dor quando tudo pode dar errado. Afinal, dar errado é normal pra todo mundo. Os cinquenta por cento de chance sempre pairam sobre minha cabeça, mas vai saber se é a metade boa ou a metade ruim. E no meio de tanta gente, mercado, ruas, comidas, bebidas, papéis e buzinas, vai saber quem é que vai me encontrar. Ás vezes é melhor se perder por aí. Onde as chances e proporções aumentam. Fica tudo gigantesco. Eu, minúscula, procurando simplesmente andar, esconder meus fracassos e me sentir comum. Por não ser tão forte e não saber lidar com tudo. Por querer as coisas mais simples e até agora, lograr muito pouco.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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