Consegui um travesseiro maior. Mais fofo. Uma delícia. E eu, que nem ligava de dormir sem um. Nem ligava de dormir sozinha, de acordar suando por botar duas cobertas no verão. Um frio que não saía de mim. Mas aí, a Ana veio, esqueceu a escova de dentes e sempre que podia, esquecia de novo. No primeiro dia eu achei graça, olhando do espelho, uma escova a mais na casa, na segunda vez eu me assustei, mas resolvi deixar lá mesmo. Mas aí, quando ela ia embora eu sentia falta do travesseiro. Que eu não ligava de não ter, mas que seria ótimo se por acaso eu tivesse. E ando trazendo mais edredons. Porque eu tenho que dar um jeito até junho chegar. E vou me virando até ela voltar.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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