Mais do que nunca: difícil é quando o nosso inimigo mora dentro da gente. Resumo isso por noites inteiras, ando tentando dormir rápido, mas na última semana não aconteceu. Detesto essas frases que parecem ter saído de páginas adolescentes, ou aquela coisa de gente que dá conselhos demais com frases feitas e sem efeitos, mas foi inevitável. É o auto controle que falta, que não existe, que desaparece e me deixa com a cabeça e o peito quentes, quase explodindo. Se explode, até hoje não sei. Apago e quando acordo estou ali na cama olhando por teto, com a barriga roncando, esqueci de comer, uma dor atacou, a solidão de ficar trancada dentro de um apartamento por um dia inteiro me faz querer pular pela janela. Não nego, digo na forma mais fantasiosa possível, sem deixar de lado essa minha mania de querer voar. Eu sei que é estúpido querer ser perfeita. Ninguém é, todo mundo erra. (Outra frase feita). Afinal, também é estúpido se nivelar tão baixo. É nessa hora que consigo pegar no sono. Errar menos, errar menos. Peço perdão a mim mesma, cerro os olhos e me lembro que amanhã... é, amanhã é mais um dia pra tentar outra vez.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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