Sei mais nada, de fazer silêncio quando é preciso, de pedir pra não deixar morrer. De querer e saber que quero e dizer que quero e não deixar morrer. De fazer por onde, deitar com sono, dormir sem fome, sem sede, sem dúvida. De lembrar do rosto, lembrar que erro, lembrar que amo, querer de novo e mais, pra longe, pra cá, junto de mim. De tocar e ver, ver e olhar, mas olhar e enxergar, deixa esquentar. De deitar e rir, gargalhar, correr sem fugir, ligar o peito, desligar a cabeça. De ouvir a voz e derreter, deixar molhar, deixa escorrer, deixa chorar, deixa gemer, deixa gritar, deixa. De dormir, sonhar, acordar e enfim, não deixa, não deixar morrer.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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