No meio da noite acordo e, naqueles momentos de virar o corpo pro outro lado da cama, solto um riso estranho, de sono embriagado e misturado a mais alguma coisa que não sei sintetizar numa só palavra. Podia simplesmente sentir falta e voltar a dormir. Mas as lições de fazer de tudo isso um pacote de motivos pra sorrir, vieram dela. E aquele resmungo de quem não gosta do arzinho do "respiro" que solto no seu ombro, aquela mania de começar uma guerra de cócegas mesmo sabendo que vai perder, os sustos matutinos que já não me pegam mais (porque prefiro sorrir a me assustar), chegam e são sempre bem vindos. Porque sorrir economiza musculatura, amar aumenta o tempo de vida, tempo e espaço são meros detalhes.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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