Vai ver é assim mesmo. O ponto forte que a gente tem, é resultado de um ponto fraco, escondido no meio das pernas, quando as cruzo com firmeza ao me sentar sozinha em qualquer banco de praça por aí. Aos poucos fui percebendo, que não me doía nada entregar o que tinha em mãos, a tomar um tempo escutando uma história a fim de uma opinião, a ajudar quem estivesse por perto, com um favor simples. Difícil é contar meu segredos, é dividir minha vida, é ter a coragem de deixar chorar o que eu precisar, sem vergonha ou medo de ser taxada de fraca. Difícil sempre foi, acreditar que eu valho a pena. Não pra mim mesma, mas para os outros. Se sempre quis um quarto em casa só pra mim a fim de ficar sozinha. Sempre questionando as paredes sobre o primeiro beijo, o primeiro amor e quase nunca, uma incrível amizade. Se ser forte é estar só, internamente só, e assim permanecer sem deixar entrar qualquer palavra que adule esse medo vicioso da solidão. Ali fora, todos se encaixam em algum lugar. E até hoje, eu me encaixei, inteiramente, sem deixar um fio de cabelo do lado de fora, dentro do meu próprio quarto.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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