Vem quando der, vai assim que puder, sem previsão de volta. Se na minha mente o platônico sempre foi meu vizinho, encontrei aí um amigo que também não existe. Desde criança carrego comigo, essa coisa de falar sozinha, chorar com os desenhos na parede me escutando lamentar. Existem tempos de sorrir. O resto, foi feito exclusivamente pra mim. Vou seguindo assim, do jeito que der, até que cesse. Nem sinto mais dor, as coisas se acalmam na anestesia de acordar todos os dias não é? O recado que fica incrustado no peito é que, o problema é quando impulsos para sorrir de novo voltam. Se voltam, me confundo, minhas mãos reagem bem, minha cabeça me pede pra fechar os olhos a fim de não enxergar e meu coração se quer responde. Me faço de invisível, me recolho como sempre estive, volto ao meu lugar. Parei de querer entender, talvez até de tentar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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