Vem quando der, vai assim que puder, sem previsão de volta. Se na minha mente o platônico sempre foi meu vizinho, encontrei aí um amigo que também não existe. Desde criança carrego comigo, essa coisa de falar sozinha, chorar com os desenhos na parede me escutando lamentar. Existem tempos de sorrir. O resto, foi feito exclusivamente pra mim. Vou seguindo assim, do jeito que der, até que cesse. Nem sinto mais dor, as coisas se acalmam na anestesia de acordar todos os dias não é? O recado que fica incrustado no peito é que, o problema é quando impulsos para sorrir de novo voltam. Se voltam, me confundo, minhas mãos reagem bem, minha cabeça me pede pra fechar os olhos a fim de não enxergar e meu coração se quer responde. Me faço de invisível, me recolho como sempre estive, volto ao meu lugar. Parei de querer entender, talvez até de tentar.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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