Não saio por medo da volta. Não creio por medo da solidão. Não enxergo por medo da cegueira. Não sorrio por medo do devaneio. E depois de tanto treinar a para a vida regrada, cresci nesse perímetro que protege. Cercada de arbustos e espinhos. Dentro de um castelo friamente confortável. Ás vezes enjoa, mas é melhor. Se um dia não houver ninguém, não haverá dor. Se um dia faltar água, que seja lá fora. Se em algum momento há descontrole, que se vão as partes que interferem. Qualquer coisa eu grito. Mas não me deixem sair daqui. Refém do próprio silêncio. Não o que deixo de falar, mas o que resta quando alguém responde. Da própria solidão, que finjo ter, esperando o dia que ela realmente chegue. Do próprio esquecimento, que sempre acontece entre ser o que querem, o que quero e o que sou de fato.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
Comentários