Par de olhos fechados, respiração calma. Eu poderia ficar a vida inteira ali. Esperando abrir e fechar de novo o par, se virar e nunca dizer nada. Eu queria mesmo ficar o dia inteiro ali. Ganhar a certeza de que não foge, e que se fica, fica porque é bom. Uma súbita ameaça dentro de mim, pede pra que fique a manhã inteira ali, sob qualquer teto e janelas que não deixem que te levem de vez. Algo fisga no meu peito, os olhos quase se abrem. Eu falo baixinho que não, não vamos nos perder. Imponho. Um braço me puxa pra perto. Corpo colado. Melhor assim.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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