Uma vontade engolida, me aperto a garganta, digo que não posso, por medo do não corresponder. Me estremece o corpo, só de fechar os olhos e pensar em dois segundos, que eu dissesse, com mais vontade ainda, por ter guardado mas ter sentido. Mesmo que não faça sentido algum ter guardado, porque sabe bem quem unicamente estremece meu corpo sem ao menos saber de nada, sem ao menos dizer uma palavra. Aperto minha boca com a mão. Me devora. Aperto um pouco mais. Me devora. Nem ao menos me imagina assim distante, pedindo socorro com o corpo pegando fogo. Me devora.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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