Ei pai, aqui parece um vulcão em erupção, apesar do frio ter apenas começado. Eu sei que escolhi essa vida, e sei que está sorrindo a pensar na carreira de alguém que viaja tão longe só pra estudar. Mas olha pai, tem dias que só queria mesmo estar aí em casa, deitada no sofá vendo os programas que você detesta e diz, ou aqueles programas que você acha legais, bonitos, mas não dá um sorriso por teimosia de pai, que não pode dar o braço a torcer e concordar com a filha ariana. Ah pai, eu sinto sua falta viu.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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