Cheguei ao refeitório enxugando o rosto, pensando em mil coisas tentando
não pensar em nada. Cansada de pegar sempre a mesma comida, escolhi
aquela banca vegetariana que nunca, nunca tinha fila. Até estranho isso.
Mas, ai, deixar de comer carne tem me feito bem aqui. Olhei os
ingredientes e com preguica de falar inglês, disse que queria tudo. Tudo
junto. E o chef simpático me perguntou se podia por pimenta. Concordei
sem vontade de saber o que aquilo ia virar. E ele, mais simpático ainda
quis saber se eu era espanhola. Eu parecia espanhola. Não, Brasil.
Melhor ainda, ele disse. América do Sul, linda América do Sul. Conheci
mulheres na América do Sul que olha, eu me arrependi de voltar pra cá.
Abriu a pimenta. Só um pouquinho, eu disse. E a panela ferveu. Decidi
voltar lá mais vezes. Acho que esse cara me entende. E a pimenta,
anestesiou minha boca, praticamente não sinto mais nada. Pelo menos por
hoje.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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