Era isso. Aqui o céu anda embaçado, cheio de nuvem soprando no meu rosto, perco o fôlego. Lá, eu deixava a noite me invadir, desde os treze anos eu preferia dormir de lençol, eu preferia o calor, aquele sono que nunca vem e que me deixava ver a lua pela janela. Daí eu parei de reclamar que a janela do meu quarto não dava pra rua e pro jardim, e sim pro quintal. Era disso que eu falava. Quando eu ia dormir com ela e depois dos beijos, do calor, de perder o fôlego, de senti-la inteira, não tinha nada melhor. Era a janela aberta, com a vista pro quintal. E a lua, como sempre engolindo a janela, meu corpo, meu gozo e o calor aos poucos indo embora. Era o tempo de ficar ali olhando até o sono levar a gente embora.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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