O culto de esperar toma tempo, e implico que este, passa rápido quando acordo no sábado, reclamo que anda demorando quando é domingo. Nessas buscas, de tanto reclamar, me disseram que eu beirava à estupidez como se não houvesse nada a fazer, e lembrei da minha mãe e do meu asco, andando pela casa bagunçando tudo ao redor e sempre se queixando de algo. É essa a ironia da vida. Você chora o tempo inteiro por algo que condena que façam, mas anda atrás do próprio rabo num ciclo pobre cometendo os mesmos crimes. Eu vejo isso acontecendo. Eu vivo isso, sou assim também. E ando descobrindo que não há ciclo melhor do que este, de me enxergar melhor a cada instante, mesmo que eu me sinta pequena, pobre, podre, lixo em primeiros momentos. Dá vontade de me perder, mas tenho dito que o oposto, me encontrar, me ganhar e sorrir para o espelho é a fase que mais dura. E quem sabe? Um dia deixa de ser apenas uma parte do ciclo.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
Comentários