Quando penso no que poderia pedir aos céus, só queria apagar da mente todo e qualquer resquício de quem me faz tanto mal, mesmo que não abra a boca. Que me arranque todas as dores, e a falta do que não tive, do que faltou por todos os anos, da alternância entre o amar e o ferir, do amor superficial, da falta de moral. Que me faça escarrar com vontade a mágoa que nem sei que carrego, que eu chore e vomite o sangue pela hipocrisia, pelo sorriso pretensioso, pelas perguntas tendenciosas, e por de noite, procurar um abraço no lugar. Eu queria saber não precisar dele, pois sei que nunca vai chegar. Sei que daqui pra frente, a solidão e a vida numa mala, é mais certa. Não há tempo pra desculpas, não há como desfazer a merda, não tenho mais cinco anos. E já não quero medidas de quem me ama, de quem entende, de quem sabe exatamente a solução. Que eu devo sair, viajar, nunca mais voltar, beber, experimentar, tentar ou desistir. Eu nem comecei a primeira parte, que é realmente não precisar de ninguém. Que é não me sentir só no meio da multidão. Que é não implorar por qualquer abraço, atenção. Que é ligar o foda-se e viver.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários
Cm certeza foi escrito de coração.
Grande abraço.