Decidi que não bebo mais. Não aqui. Já fui tão forte nessa vida que me pergunto em que bueiro minha força foi parar. Bebi algo tão besta outro dia e me levantei com todas as queixas do mundo: saudade, dor de cabeça, incompetência e talvez até ingratidão. Era muito maior que ressaca. A gente vai tentando provar a força que tem do jeito que der. Acordando todos os dias e engolindo verbos por todos os buracos do corpo, decorando o jeito de andar, sentar e acenar. O frio vem me endurecendo o corpo também. Mas o coração continua mole. E quando abro a janela, na esperança de sorrir tá tudo quase cinza. Outro dia conheci um prato novo e quase morri pra comer. Era frango molhado na pimenta pura, juro. Não sei por qual motivo, mas desde então já comprei mais duas vezes. Comi, quase chorando. Faço uns testes pra ser forte. Ás vezes pode dar certo.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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