Em um dia comum, com vários jovens com caras amarradas em minha direção, um senhor que trabalha no caixa da Target conversava alto e não parecia se cansar em dizer "Oi! Como está?" e se despedir calorosamente desejando feliz ano novo, sendo dia 5 de janeiro. Alguém ainda deseja feliz ano novo? Pois é, fiquei na fila feliz esperando minha vez, contente por ter escolhido aquele caixa. Depois de ser recebida de forma carinhosa, com vários sorrisos ele adivinhou: "Está voltando para os dormitórios né? Eu advinhei!" e me desejou um incrível semestre e ano. Bom, apesar de tanta oposição aparente, eu tô confiando nesse cara. Mais do que eu posso imaginar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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