Existe alguma coisa no ar, um surto que anda levando os pais dos meus amigos embora. Sim, falecendo. E isso me deixa sem chão, a cada semana quando algo acontece de novo, eu me lembro dos meus pais distantes de mim. E no medo que dá perceber que ninguém é eterno. Não que eu não saiba caminhar sozinha, sem eles. Acho que essa fase está quase no fim. Mas seria, e é a partir de agora que começamos a parte de desfrutar juntos o que conquistamos. De qualquer forma, com todas as diferenças, a melhor parte (e eu digo isso com alívio por pensar assim, finalmente) é perceber que eu cresci. Já era infância. Adolescência. Mas que fiquem os meus pais, um pouco mais, que é pra mostrar um pouquinho do que me transformei.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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