Existe alguma coisa no ar, um surto que anda levando os pais dos meus amigos embora. Sim, falecendo. E isso me deixa sem chão, a cada semana quando algo acontece de novo, eu me lembro dos meus pais distantes de mim. E no medo que dá perceber que ninguém é eterno. Não que eu não saiba caminhar sozinha, sem eles. Acho que essa fase está quase no fim. Mas seria, e é a partir de agora que começamos a parte de desfrutar juntos o que conquistamos. De qualquer forma, com todas as diferenças, a melhor parte (e eu digo isso com alívio por pensar assim, finalmente) é perceber que eu cresci. Já era infância. Adolescência. Mas que fiquem os meus pais, um pouco mais, que é pra mostrar um pouquinho do que me transformei.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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