Desde o primeiro dia, eu disse que seria muito difícil. Mas eu não imaginava, que seria tão mais doloroso. A viagem tão sonhada, com tanta dificuldade e na verdade não havia destino nenhum, mas qualquer lugar em que ela estivesse eu iria vê-la. E fui. Ver, abraçar e tocar quem deixei há um ano foi a coisa mais surreal que me aconteceu. Mas mesmo com todo amor, algo pairava no ar. E foi isso, ela se foi. Já imaginava que fosse tão dura nessas horas. Fomos com dor até o mesmo aeroporto. E fiquei lá chorando minhas últimas lágrimas, porque agora acho bom não ter mais força pra isso. E acho que todos aqueles verbos "pensar", "ver com calma", "tentar" foram eufemismos pra que eu entrasse no avião mais calma. E entrei, dezessete horas depois aqui estou. Tentando começar a prática de tirar você de mim. (Tão difícil quanto tirar nosso álbum e suas cartas da mochila).
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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