Desde o primeiro dia, eu disse que seria muito difícil. Mas eu não imaginava, que seria tão mais doloroso. A viagem tão sonhada, com tanta dificuldade e na verdade não havia destino nenhum, mas qualquer lugar em que ela estivesse eu iria vê-la. E fui. Ver, abraçar e tocar quem deixei há um ano foi a coisa mais surreal que me aconteceu. Mas mesmo com todo amor, algo pairava no ar. E foi isso, ela se foi. Já imaginava que fosse tão dura nessas horas. Fomos com dor até o mesmo aeroporto. E fiquei lá chorando minhas últimas lágrimas, porque agora acho bom não ter mais força pra isso. E acho que todos aqueles verbos "pensar", "ver com calma", "tentar" foram eufemismos pra que eu entrasse no avião mais calma. E entrei, dezessete horas depois aqui estou. Tentando começar a prática de tirar você de mim. (Tão difícil quanto tirar nosso álbum e suas cartas da mochila).
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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