Minha mãe parece sempre saber de tudo. Ou pelo menos sentir. E isso me enche de raiva, falta paciência. No impulso de querer que eu fale das minhas angústias, ela diz que está com muita saudade, uma semana depois de nos despedirmos pessoalmente. Sabendo talvez do quanto chorei naquele quarto de hotel, ela repete a pergunta sobre minha namorada, ex-namorada, não sei mais dizer. Não sei dizer mãe, ela está bem. E dá meia volta, percebe que meu rosto desconfigura com o nome e pergunta algo semelhante segundos depois. Está bem mãe. E então ela desiste. Sei o quanto sou injusta me escondendo dela, mas sei o quanto me protejo não mostrando minhas feridas. Dói porque a cada tropeço meu, em sua fala se sintoniza um tom de fofoca, mas o que aconteceu?, o mesmo que cresci escutando entre salões de beleza, almoço na casa dos avós, ceia de natal, churrasco entre famílias. Aquela preocupação estúpida, que nada ajuda, mas estará sempre pronta pra ser espalhada sem controle algum. Enquanto eu, na verdade continuo sozinha.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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