Acabo escrevendo por não poder falar. Embora eu já tenha falado muito, parece que a vontade nunca acaba. Falei para amigos, irmãos, para médicos, primos e não parece ser o suficiente. A dor de ter que esquecer tantos fatos pra poder seguir em frente me abala até o fio de cabelo. Eu acho que já era. É, já era tudo. O difícil mesmo é seguir em frente com tantos planos já feitos e agora vazios. Antes de dormir eu costumava a planejar cada ato, abraço, beijo, sexo, palavras. Hoje planejo como esquecer. Como tirar da cabeça as frases, a mentira, toda a história que ainda nem sei mas que já machuca. Planejo como seguir em frente, mesmo trombando na rua, dizendo "oi" e seguindo adiante. Eu, que sempre quis isso diante de tantos desencontros. Hoje, tomo um remédio pra náuseas, outro pra me acalmar e mais um para as dores de cabeça que me acompanham. A noite, antes de dormir, faço uma oração pra voltar a ser feliz.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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