Aponto para outra fase. Questionamento. Pelas noites me distraio com tudo e todos, e há quem diga que sou sim muito amada. Entre gargalhadas e momentos tristes, começamos a estudar meu mapa astral. Quase como se estivesse ali, uma receita pra não sofrer de novo, ou uma explicação pra tudo que aconteceu até aqui. Minha lua, me assustou muito. Fui recebendo os textos e me arrepiando, acho que a gente demora a acreditar de verdade nessas coisas. Toda a tal carência vinda da infância, mãe e uma auto-confiança que forcei a construir pra sobreviver apesar de tudo. Mercúrio me deixou confusa, mas exatamente por me lembrar de toda profundidade em que vivo, essa ponte em que transito, solidão na multidão, tristeza em momentos bons e uma racionalidade e avanço intelectual exatamente por medo de perder a cabeça... E daí paramos em Vênus. O texto não termina, não sei porque. Toda a intensidade do hoje e o agora, a dedicação com o tempo e minha tão sonhada segurança... parei aí. Nem notei que o texto estava cortado. E não me empolguei em terminar o mapa. Por dias me questiono, qual será o dia em que não terei mais medo de amar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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