Aponto para outra fase. Questionamento. Pelas noites me distraio com tudo e todos, e há quem diga que sou sim muito amada. Entre gargalhadas e momentos tristes, começamos a estudar meu mapa astral. Quase como se estivesse ali, uma receita pra não sofrer de novo, ou uma explicação pra tudo que aconteceu até aqui. Minha lua, me assustou muito. Fui recebendo os textos e me arrepiando, acho que a gente demora a acreditar de verdade nessas coisas. Toda a tal carência vinda da infância, mãe e uma auto-confiança que forcei a construir pra sobreviver apesar de tudo. Mercúrio me deixou confusa, mas exatamente por me lembrar de toda profundidade em que vivo, essa ponte em que transito, solidão na multidão, tristeza em momentos bons e uma racionalidade e avanço intelectual exatamente por medo de perder a cabeça... E daí paramos em Vênus. O texto não termina, não sei porque. Toda a intensidade do hoje e o agora, a dedicação com o tempo e minha tão sonhada segurança... parei aí. Nem notei que o texto estava cortado. E não me empolguei em terminar o mapa. Por dias me questiono, qual será o dia em que não terei mais medo de amar.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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