Eu sei que tenho que passar por todas as fases, até que finalmente me sinta melhor. E eu não faço ideia de onde exatamente estou agora. Eu sei que é sábado, o frio já voltou e ainda por cima chove muito. O dia todo. E sei que ainda não deixei de acordar com as cenas que nunca vi, mas imagino. Sei que não sofro muito, mas que algo pesado me acompanha, me fazendo lembrar de todo o percurso que tive sozinha e como ele parece nunca acabar. O que era apenas um medo, tornou-se realidade e eu nem vi. De repente acordei, caindo em um buraco sem fim. O chão chegou e sinceramente ainda não deu tempo de juntar meus pedaços aqui. Acho que essa é a fase que estou, me recompondo. Mesmo nesse passo lento. Mesmo que apenas as paredes do meu quarto saibam. Mesmo que todas as pessoas me olhem a fundo e concluem o tamanho que sou. Tanta gente querendo me fazer feliz, que só quero logo uma cola que me refaça sorrir, pra que eu saia do buraco e prossiga meu caminho.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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