Na solidão, meu quarto ganha vida. Não conversa, mas sente tudo, respira, me inspira e me solta devagar na cama, o travesseiro afunda e se molha quando viro meu rosto para outro lado. Esses lençóis que sabem mais do que qualquer humano sobre quem sou. Minha bagunça na mesa que conhece cada passo que dei e talvez a cada chute que eu dava sem querer na beirada da cama, era um sinal de que alguma coisa não ia bem. Cada chute, talvez fosse parte desse processo. Uma dor de cada vez. Mesmo que eu acordasse esperançosa no outro dia de sol e lembrasse do antigo pessimismo. Mais tarde eu teria mais uma hematoma em algum lugar. Uma dor afeta um lado, outra afeta outro, até que assim eu conseguisse enxergar melhor onde raios eu estava pisando.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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