Nesse lugar tudo brilha. Entrar na rotina com todos esses dias ensolarados, mesmo que frios me faz mais dona de mim. Sempre me enxerguei assim, apesar de todos os monstros que me faziam recuar. Hoje, a sensação é de missão quase cumprida. Sensação de que fiz a minha parte, em todos os âmbitos, que tentei ao máximo mesmo tendo meus erros. Hoje, vejo que não sou perfeita, mas que soube disso desde sempre com um ar de quem buscava por melhora. Até que... evoluí. Ando pela universidade pisando em diferentes caminhos: quero mudar. Desde sempre busco enxergar o mundo e a mim mesma com certa mudança, aquele papo sobre nós e o rio: quando se entra no rio somos alguém, e o rio é um; quando se sai dele, somos outro e o rio também é outro. Não há como voltar. Nem há mesmo vantagem nisso. A evolução pode ser medonha, mas quantas vezes e quantos foram os meus medos, enquanto na verdade enfrentei cada monstro sozinha? Quantas foram, e ainda são, as noites com monstros que me fazem chorar? E no outro dia, pela manhã, sou eu quem me levanto e vivo, estudo, sorrio, me enfrento, me entrego, me lembro, me esqueço, me ascendo, e finalizo sempre lembrando que amanhã é outro dia. E que só eu e mais ninguém sabe quem sou, sabe da minha história e o que sinto.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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