O que será que se ganha quando me perde? Será que se alivia, sorri, gargalha, dorme bem? Será que se cria uma história onde há o lado da vitória? Será que é gostoso, satisfatório, engraçado, sarcástico? Será que passam a me conhecer melhor? Será que a vida fica mais colorida? Será, a minha vida, mais calma e minha. Será meu caminho mais firme, mais seguro. Será meu rosto mais corado, meu corpo mais rígido, meu coração mais valente. Será minha crença egoísta, meu diálogo justo sempre, minha fala sem medos, minha lealdade sempre presente. Será meu futuro mais certo, sem medo, com família e churrasco no quintal aos fins de semana. Será minha certeza de que amar a mim mesma será sempre, a primeira opção.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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