O que será que se ganha quando me perde? Será que se alivia, sorri, gargalha, dorme bem? Será que se cria uma história onde há o lado da vitória? Será que é gostoso, satisfatório, engraçado, sarcástico? Será que passam a me conhecer melhor? Será que a vida fica mais colorida? Será, a minha vida, mais calma e minha. Será meu caminho mais firme, mais seguro. Será meu rosto mais corado, meu corpo mais rígido, meu coração mais valente. Será minha crença egoísta, meu diálogo justo sempre, minha fala sem medos, minha lealdade sempre presente. Será meu futuro mais certo, sem medo, com família e churrasco no quintal aos fins de semana. Será minha certeza de que amar a mim mesma será sempre, a primeira opção.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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