Sim, o blog acaba andando ou rendendo mais com notícias tristes. Acho normal. Já que, desde quando o criei, minha vida começava a ser mais sozinha, tive que lidar com tanta coisa dolorosa e não tinha pra quem falar, que veio tudo parar aqui. Então, acho que dou uma trégua quando as coisas vão indo bem, e depois quando as fases tristes voltam, eu volto também. Na verdade, toda a época realmente boa que tive de uns anos pra cá, passou rápida demais. Tanto, que me lembro como ontem, como foi que começou. Talvez seja isso uma das coisas que mais me dói. Tudo mudou e eu não posso mesmo fazer nada. Aliás, o que sinto mudou muito pouco, mais pelas decepções. E não é apenas por orgulho, mas querer que uma ferida esteja sempre aberta me faz pensar que só mesmo continuar a vida sozinha é melhor. O problema é que aos poucos, volto a me questionar, qual a razão que as pessoas têm de me fazer sentir tanta coisa ruim em tão pouco tempo. O porque de mentir, esconder, fugir, negar. Qual o motivo de ter que fazer algo pra se arrepender. Qual o prêmio que se ganha, quando me perdem. Vejo meu rosto e corpo emagrecendo no espelho, e questiono se as pessoas me enxergam quase como alguém incapaz de amar pra sempre. Se cruzam dados e concluem que sou correta demais. Porque sim, já ouvi isso. Se acreditam sempre que eu deveria aproveitar mais a vida, num contexto que me leva a crer que eu não deveria amar ninguém como faço. E é sempre no momento que estou a crescer, de alguma forma, que me abandonam e enganam, que mentem e me culpam, esse último como um artifício de baixo nível pra que de alguma forma eu tenha uma parcela a pagar. Se eu tenho, já estou pagando. Deixei de crescer por um mês e alguns dias, presa e machucada nessa teia. Hoje eu acredito que todas as forças espirituais podem sim me ajudar e pegar no sono. Mas amanhã... amanhã eu não sei de mais nada. Amanhã eu espero acordar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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