Sempre tentando entrar em equilíbrio e vendo meus erros a cada segundo. Deveria ir com mais calma, deveria ir mais rápido, deveria pensar duas vezes, deveria deixar de pensar. E no final eu tenho muita história pra contar. Mas agora, na altura do campeonato, não há muito o que fazer. A sensação pela primeira vez é de que aquela música finalmente faz todo o sentido. Nem desistir nem tentar, agora tanto faz. Estamos indo de volta pra casa. Além dos amigos que só Deus sabe quando verei outra vez, darei um abraço forte, compartilharei bebidas, histórias e lágrimas. Contando ainda a vida no Brasil, super corrida, sem tempo. Além disso tudo, deixo um par de olhos incríveis com aquele (esse) sorriso sem medo de viver. Deixar não deveria ser o verbo, talvez é melhor pensar que seremos livres pelo mundo. Por onde eu for, deixarei portas e janelas abertas. Por onde ela for, espero que leve um pedaço de mim, no português arrastando falando de amizade. De longe, uma das melhores pessoas que já conheci. E então vejo que me controlar parece bobagem, que ter medo da entrega não faz sentido e que se eu sentir muita dor pra enfrentar o adeus, foi porque vivi, de fato algo incrível.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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