Angela liga a câmera e começa a andar pelos corredores. Cumprimenta pessoas, faz elas me dizerem oi, me mostra o céu e como está o tempo, muito claro, nublado, aquela cidade pequena e fria geralmente. É tudo tão novo que não me importo de mergulhar intensamente. Eu me apaixonei e escondi de mim de forma sensata, era o melhor a fazer naquele momento. Mas, nunca tinha tido alguém tão sem medo de amar que nem ela, mesmo na incerteza do futuro. Lembramos cotidianamente de todas as festas ou dias ruins em que passamos naquela cama, nos bares, na biblioteca tentando entender artigos e projetos. Ninguém é superior a ninguém. Ninguém tem medo mais, de nada. Contamos os dias que faltam pro próximo abraço. E sinceramente, preferimos não ouvir os zumbidos estranhos que ás vezes tentam soltar. Deixa a gente ser e estar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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