Hoje o dia foi parado, feriado vazio e sem cor. A saudade daquela cidadezinha fria, do mato e de andar de bicicleta fez doer muito mais. A saudade daquela menina e de ficar olhando a paisagem branca da janela dela cresceu. Minha mãe me ligou e, como sempre, uma energia estranha que sempre me percorre quando isso acontece, veio me tirar um pouco a paciência. Eu não sei mais como lidar com questões tão superficiais, problemas sobre a aparência ou o status social em que nos encontramos. Mas dessa vez ela se queixou de estar fazendo aniversário com o meu pai. 25 Anos que se conheceram. Eu realmente não gosto de entrar em detalhes, de me sentir culpada por não me lembrar. É que a vida dos dois juntos já me machucou tanto, por anos a fio, que resolvi esquecer que são casados. Mas dessa vez doeu. Doeu porque eu sei o que é viver um grande amor. Eu sei o que é me entregar, me dedicar, sonhar com cada detalhe da vida à duas e sei, mais do que nunca o que é dar errado. Sei o que é ser enganada e traída, sei o que é implorar por atenção, por afeto. Sei o que é acreditar em alguém e de repente, o mais inusitado acontecer. E sei também o que é esperar o pior mesmo depois que tudo acabou. Mas eu não disse nada a minha mãe, deixei pra lá. Infelizmente meu coração não me deixa mais entrar em questão sobre os dois, desde que eu era bem pequena. E não entro. Mesmo que eu entenda, mesmo que agora eu chore por não saber me expressar. A parte boa disso tudo é que amanhã eu começo a amar de novo, e de fato eu vivo e me entrego, esqueço o que passou. E em momento algum eu penso em machucar ninguém, mesmo aqueles que fizeram questão de me ferir. Eu só quero ser feliz.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários