Hoje o dia foi parado, feriado vazio e sem cor. A saudade daquela cidadezinha fria, do mato e de andar de bicicleta fez doer muito mais. A saudade daquela menina e de ficar olhando a paisagem branca da janela dela cresceu. Minha mãe me ligou e, como sempre, uma energia estranha que sempre me percorre quando isso acontece, veio me tirar um pouco a paciência. Eu não sei mais como lidar com questões tão superficiais, problemas sobre a aparência ou o status social em que nos encontramos. Mas dessa vez ela se queixou de estar fazendo aniversário com o meu pai. 25 Anos que se conheceram. Eu realmente não gosto de entrar em detalhes, de me sentir culpada por não me lembrar. É que a vida dos dois juntos já me machucou tanto, por anos a fio, que resolvi esquecer que são casados. Mas dessa vez doeu. Doeu porque eu sei o que é viver um grande amor. Eu sei o que é me entregar, me dedicar, sonhar com cada detalhe da vida à duas e sei, mais do que nunca o que é dar errado. Sei o que é ser enganada e traída, sei o que é implorar por atenção, por afeto. Sei o que é acreditar em alguém e de repente, o mais inusitado acontecer. E sei também o que é esperar o pior mesmo depois que tudo acabou. Mas eu não disse nada a minha mãe, deixei pra lá. Infelizmente meu coração não me deixa mais entrar em questão sobre os dois, desde que eu era bem pequena. E não entro. Mesmo que eu entenda, mesmo que agora eu chore por não saber me expressar. A parte boa disso tudo é que amanhã eu começo a amar de novo, e de fato eu vivo e me entrego, esqueço o que passou. E em momento algum eu penso em machucar ninguém, mesmo aqueles que fizeram questão de me ferir. Eu só quero ser feliz.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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