E então, tudo que eu tinha medo de acontecer, aconteceu. Acredito muito nessa atração de energias boas e ruins, apenas com o pensamento. Aliás, tudo não. Mas cá estou nessa rotina de dormir nove horas por dia, de me sentir fraca e tentar acreditar que vai ser melhor assim. Mais um namoro que fico na dúvida se vale a pena lutar por. Mais uma vez em que namorar sozinha acaba sendo uma questão forte. E não quero isso. Mais quinze, vinte, talvez trinta dias em que vou evitar os meus pais, porque eles estavam se preparando pra conhecer a tal pessoa. E agora não sei o que irá acontecer. Se não fossem os amigos ao redor, eu já teria ligado duas vezes, chorado, perguntado o que há de errado comigo. Mas não tem nada errado, não comigo. E mesmo que no último email tudo parecesse lindo, "eu não queria terminar, sinto sua falta", tentei casar tal frase com o diálogo do dia anterior e não entendi muito bem. Eu forcei a barra, puxei a palavra "break up" da gaveta e joguei na tela. Ela abaixou a cabeça e não teve contra resposta. Achei que fosse isso. Mesmo doendo tanto. E agora tenho esse tempo todo só pra mim, a noite inteira também, tenho finais de semana e essas férias. E tudo que eu soube fazer até agora, foi dormir. Se eu pudesse pedir alguma coisa, agora, eu queria muito conseguir ficar longe por mais uma semana. Mas depois disso, eu queria ver aquele rosto de novo, se possível com saudades de mim, dizendo a mesma coisa que disse no último email. Que aliás, eu não paro de ler. Detesto que minha vênus seja em touro, e que eu fique remoendo e digerindo a mesma coisa por um mês. Enquanto a dela continua em áries, tsc tsc.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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