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Engraçado como a vida sempre me põe numa corda bamba, no meio do circo, lotado de gente contente. E aí, eu vou com a cara mais lavada, de quem acha que sabe se equilibrar, sorrindo pra todo mundo, e fingindo que onde estou nem é lá, tão alto assim. Ando levando tudo no bom humor. E fazendo meu interior ser pessimista. Isso, bem pessimista. Porque só assim pra eu me esforçar para o que pode dar certo. O que pode dar certo? É isso que vou me perguntando, enquanto caminho, com a sombrinha na mão, o brilho ora caindo, ora subindo, mas eu não paro de sorrir. "A esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha pode se machucar. Azar! A esperança equilibrista, sabe que o show de todo artista, tem que continuar..." 
A cada dia que passa, me encanto mais com crianças. E me lembro da minha mãe gritando como se rogasse uma praga, que eu teria uns dez filhos. Que seja. Acredito que se cada um deles, vier sendo fruto de um amor, tudo bem. Mas até isso aí acontecer... ih, pode demorar tempo demais. Então, até lá, se eu tiver um só, ainda há tempo e motivo pra comemorar.
Alguém já viu resto de amor e carinho ir embora com o vento? Assim, numa tarde de quarta-feira, aquele restinho evaporar e daí não sentir mais nada? Eu sei agora como é. Ficou nada. Um bocado de indiferença, o respeito substituiu o rancor... e é isso. E fui embora sorrindo por alívio e por uma emoção contida, que não sei ainda o nome.
Trabalhos a fazer, essa casa vazia, um mundo de possibilidades e uma vontade incrível de entrar de cabeça onde talvez não seja tão legal. Não que eu queira, mas paixonite infectou aqui. (Pode ser como gripe, qualquer coisa, piorando, eu tomo um remedinho que sara). E eu sei que foi só desse lado de cá. E quanto mais eu escuto "ela é doida comigo!" na forma mais irônica e brincalhona possível, mais eu me entorto na hora de dormir. Mais eu procuro pelas mãos. Mais eu menos. Mais ela mais. Mas ela, bem menos que eu , provavelmente. 
Quase nada dentro de mim é incontrolável, por incrível que pareça. Concentração e determinação são duas linhas que sigo firmemente. O problema-chave está na vontade (controlável) de esquecer um pouquinho o controle, o limite, determinar por mim mesma, que pular da janela pode não ser tão fatal assim. É cotidiano morrer. E voar também pode ser.
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Era sempre assim. Naquele quarto-mundo branco, onde ninguém poderia me escutar, eu botava a mesma playlist, o mais pesadinho que eu tinha, e me fazia parecer contente, no último volume. Deitava na cama, e com o travesseiro por cima da cabeça, encharcava o lençol de tanto chorar. E é a mesma playlist que botei hoje pra fazer a mesma coisa. Mais um quarto-mundo, mais fronhas molhadas. E depois tudo seca. O quarto inteiro, e meu interior.