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É quase como segurar uma corda tentando alcançar o topo da pedra que está bem ali, mas o peso do seu corpo, da sua vida e do que tem que ser feito resulta no óbvio: não dá pra voltar mais. Tem dias que acordo tranquila, pensando em detalhes estúpidos como as molduras que devo comprar pra colocar uma das gravuras que fiz e outras fotografias. Criei gosto pelo supérfluo quando aqui cheguei, me lembro bem. Meu corpo me ensinou a pedir por comida quando não haviam abraços, me lembro de comprar sapatos quando me decepcionava outra vez. Mas foram perfeitos os momentos em que eu simplesmente não precisava de mais nada além dos momentos com meus amigos ou das conversas com minha família. Infelizmente, não sou perfeita, e sei que voltarei a pensar em fatos estúpidos para entender de vez que estou indo embora. E que as chances de voltar pra cá, são poucas. E pensar que, mesmo que eu voltasse, os momentos mudam, as pessoas se mudam e todos os meus amores estarão espalhados pelo mundo, literalme...
Sair de casa foi difícil. Voltar vai ser duplamente dificil, talvez mais do que isso. Sair de casa foi tão difícil que me fazia contar o tempo, nos primeiros meses eu chorei pensando em quantos fins de semana ainda passaria (até me acostumar). Já o voltar pra casa me desespera: não há um prazo pra voltar pra cá. Talvez eu nunca volte. E se eu voltar, nada será como é hoje, agora. Uma amiga tentou me conformar: "Apenas aproveite. Provavelmente é a melhor época da nossa vida. Mas não há nada a fazer agora a não ser isso". Respirei fundo e deixei aquele filme de retrospectiva passar por minha cabeça. Eu sei, é quase tortura, mas faz parte da valorização. Cheguei com medo, crítica e determinada. Todas as dificuldades que passei, todos os fins de semana em que estudar era o que me tirava a saudade da mente. Todo auto controle tomando conta de tudo até que eu perdesse a noção de certas coisas. Os eventos e passeios incríveis que me fazia feliz porém incompleta. Até que a vida des...
Sempre tentando entrar em equilíbrio e vendo meus erros a cada segundo. Deveria ir com mais calma, deveria ir mais rápido, deveria pensar duas vezes, deveria deixar de pensar. E no final eu tenho muita história pra contar. Mas agora, na altura do campeonato, não há muito o que fazer. A sensação pela primeira vez é de que aquela música finalmente faz todo o sentido. Nem desistir nem tentar, agora tanto faz. Estamos indo de volta pra casa.  Além dos amigos que só Deus sabe quando verei outra vez, darei um abraço forte, compartilharei bebidas, histórias e lágrimas. Contando ainda a vida no Brasil, super corrida, sem tempo. Além disso tudo, deixo um par de olhos incríveis com aquele (esse) sorriso sem medo de viver. Deixar não deveria ser o verbo, talvez é melhor pensar que seremos livres pelo mundo. Por onde eu for, deixarei portas e janelas abertas. Por onde ela for, espero que leve um pedaço de mim, no português arrastando falando de amizade. De longe, uma das melhores pessoas que...
Minha vida é dizer adeus -  Falei baixinho dentro de mim. Não que seja ruim, mas fixamos os olhos por longos minutos, sabendo que não havia idioma que explicasse aquilo tudo. Pensar no quanto evitei chegar perto, abraçar, conversar. Lembrar do rosto se curvando com medo. I wish I could just leave everything ... Eu também. Quem me dera um monte de coisas, momentos, pessoas. Talvez o futuro dê algo, nunca se sabe. Mas enquanto isso, continuo com os olhos fixados, esperando a hora de dar adeus, mais uma vez. 
As sensações de derrota me deixavam cansada, com preguiça de começar qualquer coisa nova. Eu apenas seguia o fluxo. E deixar de acreditar em certas coisas me tirava sempre o rumo da vida. Como qualquer pessoa que tenha fé em alguma energia não tangível, eu pedi e supliquei ao meu redor que me trouxessem coisas boas, mas se isso fosse impossível, que levasse as ruins embora. Eu ainda não sei exatamente para onde estou caminhando. Mas quando a enfermeira disse que foi bom me ver sorrir de novo, eu tive quem abraçar pra agradecer. Os desesperos mudaram o rumo, mas eu nem quero que sejam desesperos. Acho que ainda não aprendi que a vida sempre segue, e que o melhor é que eu não fique mesmo parada por tanto tempo em um lugar só. Mas se eu pudesse pedir mais uma coisa, eu queria poder voltar aqui daqui a um tempo e entregar mais abraços, mais carinho, mais amor. Σας ευχαριστώ, κορίτσι. 
Future by Paramore on Grooveshark
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...