Fiquei a olhar a imensidão daquele lugar, que confesso, era bonito, luxuoso, eu só havia visto pela tevê, mas não me fazia bem. Aquela mansão, eu no jardim, só queria estar noutra casa, que fosse a dos meus pais, bem pequena. Ninguém me via, tampouco me ouvia, minha mãe me encheu de carinhos que eu não queria comprar, pelo preço ser alto demais... Meu irmão chutava uma bola no campo e, conversando sozinho e narrando o próprio jogo, dizia que o juiz mandara repetir o lance porque ele havia errado. Meu pai virava copos e me sugava com os olhos, parecia satisfeito, pois eu, estava insatisfeita. Fiquei no mesmo lugar, durante quase todo o tempo, como se não houvesse espaço que me coubesse, mesmo que aquela casa fosse enorme tanto lá fora, quanto lá dentro. Durante o dia inteiro, conversei com todos, sem olhar nos respectivos olhos. Deu no que deu. O dia, terminou em chuva.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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Moral da historia: 24h são exatamente o que precisamos rs