Sentia a dor da consciência, nasci assim. De corpo fraco, a dor física que fragiliza ainda mais, mostrava e gritavam as paredes: 'Nasceste para sofrer! Pediste para nascer! Pois chore tudo é só o começo'. Pois, desde então, me tranquei num sorriso amarelo e podre, mas que convence a quase todos. Os que não convenço, me trancam num quarto para que eu entenda de vez a minha dura e fria realidade. Hoje, em cima da minha pele, nasce uma espécie de casco. Quase já não sinto o tato alheio. Principalmente os mais fortes.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários
Me sinto assim as vezes, mas como disse outro dia desses, prefiro pensar que vim com alguma missao, nao é tudo tao a toa.Pense nisso!
passei horas aqui lendo haha
;*
isso foi tão tocante. muito bom sofis, muito mesmo!