Me permitia ás vezes, somente abrir os olhos sem me mexer. É como um jogo idiota, que já me fez perder o ar umas três vezes. Depois do sono, ou mesmo antes dele, tento controlar e contabilizar minha respiração. Inspira, expira. Sincronias idiotas que tento fazer que me deixam louca e me fazem perder a merda do sono. Um dia, fiquei presa. Tão presa que não podia acordar, por isso. Alguma coisa dizia que ainda não estava na hora. Mas odeio que me controlem. O fato de ser mais forte do que eu, me doeu a alma, chegou a ferir meu orgulho e tudo que eu mais queria era acordar. Nem meus olhos eu podia abrir. Ridículas sensações que invento, criam asas e fazem de mim uma refém. Até o dia em que prometi não controlar mais nada. Nem tempo, nem expira, nem inspira, nem datas. Metódica e extremista infantil, ai que ridícula.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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