Como marionete, totalmente sem controle. Alguém grande demais pra conseguir enxergar lá debaixo, pega pelos braços e a troca de lugar. Casa, estrada, casa, quarto. Ás vezes lhe coça a barriga, lhe sangra os dedos com tinta, a faz correr principalmente. Deve ser engraçado assistir a tudo isso. Quase um espetáculo sem espectador. Porque é só a marionete sem controle, seus braços finos, as pernas longas e o caminho longo, distante debaixo do sol de papel. Vez ou outra chove, as cores desbotam, e o controlador vem fazer ela dançar com qualquer tom, qualquer som, pra puxar a linha da boca que faz o sorriso sorrir. Ás vezes cola, ás vezes a linha repuxa e ele emenda com um drama se a boca embola, jogando gotinhas nos olhos, entorta o pescoço e narra mais um conto, que conta devagar, como é que ela foi parar ali, sozinha, outra vez.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
Comentários