Algumas pessoas são como lares. Eu concluí mas ainda não vi a totalidade disso como uma coisa boa. Me sinto sem um lar físico, me mudando de lugar sempre em uma eterna adaptação que hoje entendo, é da minha mente ao que realmente sou e o que faço. Não importa tanto o lugar, eu sinto falta do que não tenho. E aí, abraços podem abrigar, palavras podem proteger. Do frio, da saudade, de um possível sentimento de abandono, coisas que lares costumam fazer. Então, pessoas podem ser como lares. Nem todas, mas podem. Talvez por uma questão de responsabilidade, nem todo mundo quer ser o lar de alguém. E também talvez o correto e auto suficiente modo de viver seria que cada pessoa, fosse seu próprio lar. Não duvido que muitas pessoas são. Que trocam de ambiente a qualquer instante mas que sorriem embora sintam as mudanças na pele, que não precisam de ninguém a não ser elas mesmas. Que carregam junto a elas toda a bagagem necessária sem deixar rastros de dependência a lugar algum. Talvez ser o meu próprio lar seja mais difícil pra mim do que qualquer pessoa possa imaginar. Tampouco acredito que é culpável, se minha mente tem tantas coisas a pensar, lembrar e a falar sem parar nenhum segundo. E não gosto e nunca gostei de lares com tantos conflitos. É exatamente disso que tenho fugido. Quero ser o meu próprio lar, embora encontrar um lar nos braços de alguém pareça bonito. Ser o meu próprio lar e não escutar os conflitos pode ser mais bonito ainda.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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