Algumas pessoas são como lares. Eu concluí mas ainda não vi a totalidade disso como uma coisa boa. Me sinto sem um lar físico, me mudando de lugar sempre em uma eterna adaptação que hoje entendo, é da minha mente ao que realmente sou e o que faço. Não importa tanto o lugar, eu sinto falta do que não tenho. E aí, abraços podem abrigar, palavras podem proteger. Do frio, da saudade, de um possível sentimento de abandono, coisas que lares costumam fazer. Então, pessoas podem ser como lares. Nem todas, mas podem. Talvez por uma questão de responsabilidade, nem todo mundo quer ser o lar de alguém. E também talvez o correto e auto suficiente modo de viver seria que cada pessoa, fosse seu próprio lar. Não duvido que muitas pessoas são. Que trocam de ambiente a qualquer instante mas que sorriem embora sintam as mudanças na pele, que não precisam de ninguém a não ser elas mesmas. Que carregam junto a elas toda a bagagem necessária sem deixar rastros de dependência a lugar algum. Talvez ser o meu próprio lar seja mais difícil pra mim do que qualquer pessoa possa imaginar. Tampouco acredito que é culpável, se minha mente tem tantas coisas a pensar, lembrar e a falar sem parar nenhum segundo. E não gosto e nunca gostei de lares com tantos conflitos. É exatamente disso que tenho fugido. Quero ser o meu próprio lar, embora encontrar um lar nos braços de alguém pareça bonito. Ser o meu próprio lar e não escutar os conflitos pode ser mais bonito ainda.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
Comentários