Postagens

Vive nesse jogo de quem se sente sempre amado, mas soou como pedido em cartinha ao papai noel pra que eu escrevesse. E digo sempre e tanto de todas as formas que até hoje me couberam na mente, sobre esses olhos que ficam imensos atrás dos óculos, do mesmo jeito que é seu coração atrás da carinha meio amarrada. Desaprendi com o tempo e por circunstâncias passadas a dizer e a não ter medo de repetir, mas é que sua gargalhada me gozando a cara por tantas coisas que sou ás vezes me mete medo. Enquanto fiquei calada, percebi o quanto o mundo é grande, com gente demais por aí, e, olha bem quem anda me ligando todas as noites. Era só alguém um tanto intocável pra mim. Juro. Mas é claro que meu quarto com bichinhos de pelúcia e desenhos estranhos nunca receberia quem tanto tinha história, meninas, malas, cidades e mais histórias. Ou melhor, receberia sim. E levaria consigo uma vontade imensa de rir, bem alto. Mas é que sou assim mesmo, como vê. E o medo em mim, ficava maior quando sabia qu...
a prendi a voar, quando percebi que não conseguia ter a mente firmemente segura. t udo pode cair, desabar, se quebrar, se perder, acabar. ser sozinha é ser o suficiente. q uando não há mais chão, eu alço voo do jeito que der. l eve demais, peso o suficiente. p alavras altas, contadas, falo o suficiente. e deixa pra lá aquela ideia de ser alguém que (tem) falta.
Por um passado que me faz perceber que tudo melhora, busquei abrir a janela, mesmo que chovesse dentro de casa, lembrando das coisas que durante tanto tempo fingi que não vivi. E questiono o porquê de sentir tanta falta de ser criança, se hoje o que me arrebata é ter a verdade nas mãos e conseguir entender mais da metade do que eu perguntava, olhando pra cima a cara de bravo de pai e de mãe. Segurava no bolso de trás, que era muitas vezes o que me restava e tentava andar no mesmo ritmo que ela, chegava a fechar os olhos pra conseguir correr mais rápido. Podia ver a novela que eu quisesse se fizesse companhia, esperando pai chegar de madrugada, via sexo, morte e ás vezes esses tapas técnicos de novela. Mas tive que encontrar uma revista velha pra perguntar um tanto atrasada, por que é que a gente sangra todo mês. Podia beijar os meninos, se quisesse esconder e escolher. Mas não queria. Não queria meninos, não queria scarpin, não queria que o Elias fosse embora, não queria dormir sozin...
Ela fecha, eu abro os olhos, e fecho, abrindo a mão. Ela pega, não diz nada, eu abro os olhos, ela olha e fecha a mão. Eu fecho os olhos, ela sorri e me entrega a mão vazia. Eu abro os olhos, seguro a mão, procuro a outra. E volto à calma, fecho meus olhos. Está entregue.
Gosto da falta de tempo pra pensar. Sobra prática, faltam minhas teorias mirabolantes sobre o que sou para cada um e consequentemente um "quê" de liberdade, quando tudo ao redor ganha um dólar por crítica. O que eu quero parece caro e não dá pra pedir de natal. A dúvida quanto ao caráter dos outros, a certeza de alguma coisa realmente boa e forte que outros sentem por mim. Ligar o "foda-se". Eu quero esse botão de natal também. Mesmo que eu me sinta com cinco anos, abrindo uma caixa de um brinquedo que vai me fazer brincar sozinha, pela maioria do tempo. 
-  Por mais que eu dance com caras e minha boca colada querendo mais e dizendo que é só mais um pouco não vou cobrar nada, mas quero acordar e te ver por aqui, dormindo ou não e pedindo pra eu me calar porque falo demais e gosto do sol no corpo esquentando a cama sem te deixar dormir por mais cinco sete ou dez minutos extra conforme minha rotina e meu relógio biológico que diz que preciso comer preciso comer preciso comer. Mas quando percebo eu já me mexi tanto, meu braço dói e não sei onde mais dizer escrevendo pedindo pulsando a voz inerte ofega e seu coração inerte rega em silêncio e cultiva tudo que eu sinto nas entrelinhas espero que entenda mesmo inerte ao que faço grito e peço com culpa por um dia ter dito que não lhe cobraria nem mesmo um toque de mãos quem dirá ouvir com cuidado o apelo de quem ama sem poder dizer exatamente isso porque nunca se sabe nunca se sabe nunca se sabe se ama de volta.
Como se eu tivesse que aproveitar tudo, com muita pressa e muito amor, com tudo que tenho e agora, sempre mais e mais agora. Porque existe uma multidão do passado, presente e futuro que pode me esmagar.   Como se eu tivesse que agradecer com toda força, porque fui escolhida. E me esqueço da multidão de cá, e de que também escolhi porque quis. É que qualidade sempre foi tão maior que quantidade, que eu espero ver qual fruta cai de podre e qual me espera colher.