Mergulhei debaixo do lençol e coloquei minha cabeça debaixo do travesseiro, como de costume. Não, eu não estou preparada para recomeçar sozinha. Se é que um dia estive acompanhada de verdade. Fosse nas horas ruins, eu me sentia só, e se não me esforçasse para encontrar quem queria, continuaria a me sentir só. Mas, pensando bem, não estava preparada quando dei aquele beijo, nem quando parti, nem quando me entreguei de corpo e alma. Aliás, preparada não é meu melhor adjetivo. Corajosa, talvez seja melhor pra mim. Tenho tentado não dar de cara em postes altos demais, tenho tentado olhar bem para o chão, e ver se não há nenhuma corda para me fazer cair. E, geralmente, quando vejo que há alguma, faço amizade com a pessoa que segura a tal corda, tentando a convencer de não deixá-la ali. Mas, será mesmo a melhor coisa a fazer? Eu não deveria dar um chute no carinha da corda, fazer ele cair no chão e dar o fora? Não entendo essa minha mania de agir de forma totalmente inesperada nas horas mais malucas da vida. Eu sei que não estou preparada nem para correr, e nem para cair no chão e levantar sozinha, me segurando pelas paredes. Sei que sozinha, eu não teria lá muitos amigos, como não os tenho em alta quantidade mesmo. Sei que, sofreria muito, como já estou a sofrer, mesmo que você diga que sofrimento é opçional. Mas dentro de mim, algo começa a morrer aos poucos. A esperança de voltar a sonhar com precisão e de lutar por esses sonhos. Minha vida era sonhar. Mas foi a uns anos atrás que, resolvi ter a tal coragem pra realizá-los mesmo que não estivesse preparada pra nada. Tenho mania de pensar e calcular o que tenho, para ver que sozinha, eu posso sim ser feliz. Mas, bem. Nada disso ao meu redor me satisfaz. Eu nunca lutei tanto pelo abstrato, e te digo, é complicadíssimo quando o resto do mundo pensa diferente. Poderiam me entregar a vida tão sonhada de muitas pessoas, vida de riquezas, de materiais, de coisas valiosas, vistosas. Mas sei que não é bem isso que quero. Pois, me basta um coração verdadeiro, me querendo bem, sinceramente bem. Me basta o verdadeiro ato de amor. Me basta carinho, compreensão, ajuda, proteção. É por aí, o caminho. Não pela corda, nem pelos muros altos demais.
I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.
Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...
Comentários